Observações do Presidente Donald Tusk após a reunião do Conselho Europeu de 15 de outubro de 2015

Conselho Europeu
  • 19/02/2016
  • 23:59
  • Declaração e observações
  • 76/16
  • Assuntos institucionais
19/02/2016
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Preben Aamann
Porta-voz do Presidente do Conselho Europeu
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Boa noite. Acabámos de alcançar um acordo que reforça o estatuto especial do Reino Unido na União Europeia. É uma decisão juridicamente vinculativa e irreversível de todos os dirigentes europeus. Este quadro dá resposta a todas as preocupações do Primeiro Ministro David Cameron, sem comprometer os nossos valores fundamentais.

Durante os nossos longos debates, por vezes bastante acesos, disputámos os mais pequenos detalhes do acordo. Não foi talvez um espetáculo estético e menos ainda glamoroso. Todavia, o que conta é que os dirigentes europeus não abandonaram a mesa das negociações, já que estava em jogo algo muito mais importante. Enviámos um sinal de que estamos prontos a sacrificar parte dos nossos interesses pelo bem comum, para mostrar a nossa unidade.

Vivemos tempos conturbados e imprevisíveis, com todas as crises que campeiam à nossa volta. Se pensam que estou a dramatizar, basta olhar para o que está a acontecer neste preciso momento. A maior crise migratória na história da Europa. A ameaça iminente do encerramento de fronteiras no nosso continente. Atentados terroristas na Turquia, bombardeamentos aéreos na Líbia, a guerra que se incendeia na Síria. O conflito crescente entre a Rússia e a Turquia. Infelizmente, poderia continuar.

Tempos excecionais exigem palavras excecionais. E ninguém se exprimiu melhor do que Winston Churchill. Permitam-me que cite as palavras que disse em Zurique, em 1946. Talvez soem demasiado solenes. Mas vale a pena recordá-las, para perceber que apesar de tudo ter mudado ao longo dos anos, na verdade nada mudou. E uma coisa que seguramente não mudou é que a Europa precisa de se manter unida.

"Se queremos salvar a Europa da infinita tormenta, como Churchill disse, e, na verdade, da sua condenação definitiva, é necessário este ato de fé na família europeia. Podem os povos europeus erguer-se à altura da alma e do instinto e do espírito humanos? Qual é o remédio soberano? É recriar o tecido europeu, ou o mais que dele pudermos, e dar-lhe uma estrutura na qual possa viver em paz, em segurança e em liberdade. É por isso que vos digo: deixem que a Europa se erga". Fim de citação.

Acredito sinceramente que o Reino Unido precisa da Europa e que a Europa precisa do Reino Unido. Quebrar agora esse elo seria totalmente contrário aos nossos interesses mútuos. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para não deixar que tal acontecesse. Mas a decisão final está nas mãos do povo britânico.