Ir para o conteúdo
Assinatura eletrónica
  • 22/06/2017
  • 11:45
  • Declaração e observações
  • 407/17
  • Brexit
  • Economia e finanças
  • Negócios estrangeiros e relações internacionais
  • Assuntos internos
  • Segurança e defesa

Este é o 80.° Conselho Europeu em que participei como Primeiro Ministro ou como Presidente do Conselho Europeu. No entanto, nunca antes estive tão firmemente convicto de que as coisas estão a encaminhar-se numa melhor direção.

Devemos manter-nos extremamente prudentes no nosso otimismo, mas temos boas razões para ser otimistas. Entre essas razões contam-se: o crescimento económico em todos os países da UE; a redução do desemprego, com o mais alto número de pessoas empregadas jamais registado; o acordo financeiro com a Grécia; o aumento do sentimento pró-europeu nas últimas semanas, segundo as sondagens; as derrotas eleitorais dos partidos antieuropeus e as vitórias de dirigentes políticos que são 100 % a favor da UE. Da Bulgária e da Áustria aos Países Baixos, e – claro – à França.

Conseguimos também manter a unidade política da UE perante as múltiplas ameaças e desafios. O meu debate de hoje com o Presidente Petro Oleksiovytch Poroshenko é mais uma prova daquilo que tenho ouvido de todos os meus interlocutores nas últimas semanas. Desde o Presidente Trump até ao Primeiro Ministro Shinzo Abe, do Primeiro Ministro Li Keqiang ao Presidente do Senegal, Macky Sall, do Presidente Evo Morales ao novo Presidente da Coreia do Sul: todos salientaram que, para eles – apesar do Brexit – a UE continua a ser o principal parceiro. E apesar das previsões sombrias, é a Europa que está a voltar a tornar-se um ponto de referência estável e positivo para todo o mundo.

Contudo, não podemos ser complacentes ou ingénuos. Temos de provar às pessoas que somos capazes de retomar o controlo dos acontecimentos que nos ultrapassam e por vezes até nos aterrorizam. No ano passado acordámos em que a UE protegerá as nossas populações contra as ameaças à segurança, especialmente o terrorismo, e contra a migração ilegal e a globalização descontrolada, e temos de continuar a alcançar resultados. Por conseguinte, durante o próximo Conselho Europeu, proporei que avancemos com a nossa resposta política nestes três domínios.

E, por último: como sabemos, as negociações do Brexit começaram há três dias. Trata-se de um processo extremamente difícil, para o qual a UE está bem preparada. Podemos ouvir diferentes previsões, por parte de pessoas diferentes, acerca do possível resultado destas negociações: Brexit duro, Brexit suave ou nenhum acordo. Alguns dos meus amigos britânicos perguntaram-me até se o Brexit é reversível e se eu poderia imaginar um resultado em que o Reino Unido continuasse a fazer parte da UE. Disse-lhes que, de facto, a União Europeia foi construída sobre sonhos que pareciam impossíveis de alcançar. Por isso, quem sabe? Podem dizer que sou um sonhador, mas não sou o único.