CONSELHO EUROPEU DE FLORENÇA
21 E 22 DE JUNHO DE 1996
CONCLUSÕES DA PRESIDÊNCIA
INTRODUÇÃO
O Conselho Europeu, reunido em Florença
em 2122 de Junho de 1996, após
ter iniciado os seus trabalhos procedendo a um intercâmbio
de opiniões com o Presidente do Parlamento Europeu, Klaus
Hänsch, acordou em orientações estratégicas
em matéria de emprego, crescimento e competitividade, tomou
novas decisões quanto à preparação
da transição para a União Monetária,
chegou a acordo sobre uma série de questões nos
domínios da justiça e assuntos internos e das relações
externas e deu um novo impulso à Conferência Intergovernamental.
O Conselho Europeu considerou que, a fim
de manter a dinâmica e atendendo ao leque de questões
que a União deverá enfrentar num futuro próximo,
seria desejável realizar uma reunião extraordinária
do Conselho Europeu em Outubro, tendose congratulado com
a disponibilidade da Presidência irlandesa para organizar
e ser a anfitriã dessa reunião.
Registou ainda os importantes progressos
efectuados numa série de domínios tais como a cultura
e o audiovisual, a educação e a formação,
a saúde, a política social e o ambiente.
I. EMPREGO E CRESCIMENTO - UMA ESTRATÉGIA
INTEGRADA
O Conselho Europeu considera que o nível
de desemprego continua inaceitável e que a luta pelo emprego
deve continuar a ser a primeira das prioridades da União
e dos seus EstadosMembros.
Em conformidade com a estratégia aprovada em Essen e com o Livro Branco, o Conselho Europeu efectuou um debate aprofundado sobre o tema do crescimento e do emprego, tendo por base a comunicação da Comissão intitulada «Acção para o Emprego na Europa: um Pacto de Confiança», o relatório intercalar conjunto sobre o emprego, bem como os outros documentos anteriores, incluindo as conclusões da Conferência Tripartida sobre Crescimento e Emprego, que se realizou em Roma em 14 e 15 de Junho de 1996 e o Memorando francês para um modelo social europeu.
Será dado um novo impulso à
estratégia de criação de emprego e à
sua implementação, utilizando as abordagens convergentes
delineadas nas contribuições apresentadas. As instituições
da União Europeia, os Governos e as autoridades regionais
e locais, bem como os parceiros sociais devem, todos eles, tomar
medidas concretas a favor do crescimento e do emprego no quadro
de uma abordagem integrada. De acordo com a abordagem da Comissão,
pretendese desencadear um processo aberto e flexível
que permita a todos os interessados assumir compromissos concretos
ao nível de responsabilidades de cada um com vista a criar
um enquadramento macroeconómico favorável
ao emprego, a explorar ao máximo as potencialidades do
mercado interno, a acelerar as reformas do mercado de trabalho
e a utilizar mais vantajosamente as políticas da União
com vista a propiciar o crescimento e o emprego.
O Conselho Europeu subscreve as orientações
gerais para as políticas económicas da Comunidade
e dos EstadosMembros que lhe foram apresentadas pelo Conselho
e pede a este último que as finalize. Sublinha que é
essencial um elevado e sustentado crescimento económico
não inflacionário a médio prazo para reduzir
de forma significativa e duradoura os níveis inaceitavelmente
elevados de desemprego, e para combater a ameaça da exclusão
social. O Conselho Europeu recorda que esforços credíveis,
préanunciados e socialmente equilibrados no sentido
de reduzir os elevados desequilíbrios orçamentais
contribuirão para o restabelecimento da confiança,
para a transformação da recuperação
ora esperada num processo de crescimento a médio prazo
duradouro e gerador de emprego e para uma transição
segura para a UEM em 1 de Janeiro de 1999.
Para tal, o Conselho Europeu convida os EstadosMembros
a intensificarem os seus esforços de consolidação
orçamental, tendo em conta os princípios gerais
já definidos, sendo nomeadamente preferível reduzir
as despesas a aumentar as receitas, proceder a uma reestruturação
selectiva das despesas que incentive o investimento incorpóreo
em capital humano e em investigação e desenvolvimento,
a inovação e as infraestruturas indispensáveis
à competitividade, e dar prioridade às políticas
geradoras de emprego. Neste contexto, o Conselho Europeu exorta
também os parceiros sociais a que continuem a promover
uma política salarial favorável ao emprego e à
competitividade.
O Conselho Europeu sublinha uma vez mais
a contribuição essencial do mercado interno
para a promoção do crescimento e do emprego. O Conselho
Europeu:
- convida os EstadosMembros a acelerarem a plena aplicação das directivas relativas ao mercado interno, nomeadamente em matéria de contratos públicos, de serviços de investimento e de seguros;
- solicita ao Conselho que acelere os trabalhos
relativos à adopção do estatuto da sociedade
europeia e ao enquadramento jurídico das invenções
biotecnológicas e salienta a importância dos recentes
acordos no Conselho sobre o mercado interno da electricidade e
das telecomunicações e exorta o Conselho a avançar
no sentido de uma maior liberalização nestes sectores;
- convida a Comissão a apresentar
ao Conselho, antes do final do ano, os primeiros resultados da
sua iniciativa relativa a medidas concretas de simplificação
(SLIM);
- solicita ao Conselho que, para reforçar
as potencialidades de desenvolvimento ulterior das PME de modo
a que estas possam beneficiar plenamente do mercado interno e
contribuir assim mais eficazmente para a criação
de emprego, adopte, antes do final de 1996, o novo Plano de Acção
para as Pequenas e Médias Empresas (PME);
- convida a Comissão a elaborar um
plano de acção sobre as medidas a tomar em matéria
de inovação;
- solicita ao Conselho que, antes do Conselho
Europeu de Dublim, lhe apresente um relatório sobre a evolução
dos sistemas fiscais no interior da União, tendo em conta
a necessidade de criar uma conjuntura fiscal que estimule as empresas,
propicie a criação de empregos e promova uma política
conjuntural mais eficaz neste domínio.
O Conselho Europeu salienta a importância
do recente acordo entre o Parlamento Europeu e o Conselho referente
às orientações comunitárias para o
desenvolvimento da Rede Transeuropeia de Transportes que
complementa o Acordo alcançado em Fevereiro de 1996 no
sector da energia. O Conselho Europeu regista a proposta dos Governos
português e espanhol para alterar o projecto prioritário
nº 8 da lista 1 de Essen de modo a fazer dele a
ligação multimodal entre Portugal/Espanha e o resto
da Europa.
O Conselho Europeu está convicto de que as redes transeuropeias, o desenvolvimento das PME e a investigação científica e técnica podem dar um contributo essencial à criação de emprego e à competitividade. Neste contexto, o Conselho Europeu regista as seguintes propostas apresentadas pelo Presidente da Comissão:
- a cobertura da linha directriz agrícola
permanecerá inalterada; a rubrica dos fundos estruturais
permanecerá igualmente inalterada;
- o limite máximo de autorização
de despesas na rubrica 3 (políticas internas) será
reforçado em mil milhões de ecus durante o
período de 1997-1999, e será, no essencial, destinado
às redes de infraestruturas de transportes de carácter
prioritário. No entanto, os pagamentos orçamentais
que lhes estão ligados farseão dentro
do actual limite máximo global acordado anteriormente para
as despesas efectivas (dotações de pagamento);
- este reforço será acompanhado
de um esforço suplementar de redistribuição
das dotações disponíveis na rubrica 3 a favor
dos sectores em questão, permitindo um aumento das disponibilidades
totais de 1,2 mil milhões de ecus.
O Conselho irá considerar estas propostas,
em conformidade com os imperativos da disciplina orçamental
e segundo os procedimentos habituais.
O Conselho Europeu toma nota da possibilidade
de concentrar as políticas estruturais na criação
de emprego tal como a Comissão recomenda, sem que tal
afecte os princípios de base, o enquadramento jurídico
existente e os montantes dos fundos estruturais. Concorda designadamente
com as prioridades de utilização das margens disponíveis
para o apoio às pequenas e médias empresas de parceria
com o BEI e para o apoio às iniciativas locais em matéria
de emprego. Toma nota de que a Comissão apresentará
um relatório sobre a execução destes princípios
antes do Conselho Europeu em Dublim.
Para promover o esforço comum de criação e desenvolvimento do emprego a nível local, o Conselho Europeu convida os Estados-Membros, sempre que possível, a seleccionarem regiões ou cidades que possam candidatar-se a projectos-piloto relativos a pactos territoriais e locais em matéria de emprego, tendo em vista a implementação destes pactos no decurso de 1997 com o apoio parcial das margens disponíveis ao abrigo das políticas estruturais. Neste contexto, o Conselho aguarda atentamente as conclusões da Conferência sobre as iniciativas em matéria de emprego a nível local, que será realizada pela Presidência irlandesa no próximo mês de Novembro. As reformas do mercado de trabalho devem ser aceleradas no tocante aos serviços públicos de emprego e às políticas de formação.
Os parceiros sociais devem ser encorajados
a tomar iniciativas por forma a melhorar a integração
dos jovens, dos desempregados de longa duração e
das mulheres desempregadas no mercado de trabalho, a promover
a formação ao longo da vida e a desenvolver a organização
do trabalho flexível e do horário de trabalho. No
que diz respeito a este último, o Conselho Europeu nota
com satisfação que os parceiros sociais declararam
agora formalmente que estão dispostos a negociar esta questão.
Os EstadosMembros e, se for caso disso, os parceiros sociais
devem analisar os sistemas de segurança social em relação
com a criação de emprego.
O Conselho Europeu sublinha a importância
da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres e a melhoria
das condições de vida.
O Conselho Europeu salienta as potencialidades
da Sociedade da Informação para a educação
e a formação, a organização do trabalho
e a criação de emprego.
O Conselho Europeu salienta a necessidade
de uma profunda adaptação dos sistemas educativos
e de formação na União Europeia. Regista
que a Comissão tenciona apresentar uma proposta sobre o
acesso e o reconhecimento das qualificações adquiridas
durante a formação ao longo da vida. Veria igualmente
com agrado um estudo da Comissão sobre o papel da aprendizagem
no reforço da criação de emprego. Além
disso, convida a Comissão a elaborar rapidamente um plano
de acção sobre a iniciativa «Aprender na Sociedade
da Informação».
O Conselho Europeu sublinha a importância
de facilitar a inserção dos jovens na vida activa
e registou com interesse, neste contexto, a ideia de um serviço
voluntário europeu.
O Conselho Europeu toma nota dos trabalhos
destinados a estabelecer um sistema de indicadores comuns que
deverá permitir a verificação dos resultados
económicos em termos de criação de emprego
e do funcionamento do mercado de trabalho. Toma também
nota da proposta da Comissão que institui um Comité
Político do Emprego e do Mercado de Trabalho, que o Conselho
analisará o mais depressa possível.
Espera que o relatório conjunto anual para o Conselho Europeu de Dublim proceda à avaliação da realização dos programas nacionais plurianuais e apresente as vantagens de uma abordagem coordenada das medidas estruturais e económicas. Para além disso, o Conselho efectuará um balanço da iniciativa do Presidente da Comissão para um Pacto de Confiança.
O Conselho Europeu solicita ao Grupo de Alto
Nível instituído para o efeito que prossiga a coordenação
do trabalho realizado no domínio do emprego e, neste contexto,
analise as outras propostas constantes do Memorando francês
para um modelo social europeu.
II. UNIÃO ECONÓMICA
E MONETÁRIA
O Conselho Europeu congratula-se com os constantes
progressos realizados na preparação atempada da
Terceira Fase da UEM. Regista o progresso na convergência
e os esforços efectuados para corrigir os desequilíbrios
remanescentes nas finanças públicas. Assim, confirma
que a Terceira fase da UEM terá início em 1 de Janeiro de 1999,
como foi acordado em Madrid, o que significa que não será
necessária a avaliação prevista no artigo 109ºJ
do Tratado CE. O Conselho Europeu aprova o ponto da situação
do Conselho ECOFIN, realizado no Luxemburgo em 3 de Junho de 1996,
aproveitando os resultados positivos do encontro de Verona, que
se centrou na disciplina orçamental da Terceira Fase e
nas relações entre os participantes e os não
participantes na zona euro.
O Conselho Europeu exorta o Conselho e, nos
respectivos sectores de competência, a Comissão e
o Instituto Monetário Europeu, a prosseguirem os seus trabalhos
sobre o novo MTC voluntário, as relações
entre os EstadosMembros que participam na zona euro e os
não participantes, bem como a estabilidade fiscal na Terceira
Fase da UEM, tendo em vista apresentar ao Conselho Europeu de
Dublim conclusões que revelem progressos mais substanciais.
Em conformidade com as conclusões do Conselho Europeu de
Madrid, os trabalhos técnicos de preparação
do enquadramento jurídico do euro deverão igualmente
estar terminados antes do final do ano. O Conselho Europeu convida
a Comissão a apresentar as propostas necessárias
nesse sentido e o Conselho a apresentar um relatório ao
Conselho Europeu de Dublim.
III. JUSTIÇA E ASSUNTOS INTERNOS
O Conselho Europeu resolveu o último problema pendente relativo à criação da EUROPOL habilitando o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias a deliberar a título prejudicial sobre a interpretação da Convenção Europol. Assim, o Conselho Europeu convida os Estados-Membros a ratificar a Convenção e o Protocolo num futuro muito próximo. Nesta perspectiva, solicita também ao Conselho que estude o mais rapidamente possível uma solução semelhante sobre a competência a atribuir ao Tribunal para a interpretação das Convenções relativas à protecção dos interesses financeiros e à utilização da informática no domínio aduaneiro (SIA).
O Conselho Europeu sublinha a importância
vital do reforço da cooperação entre os EstadosMembros
no combate à droga e ao crime organizado.
Tendo em conta a gravidade do problema da
droga, o Conselho Europeu reitera a importância de concluir
o mais rapidamente possível a análise sobre a harmonização
das legislações dos EstadosMembros e o seu
efeito na redução do consumo e do tráfico
ilícito de droga. O seminário de acompanhamento
realizado em Março de 1996 sobre a comparação
e aplicação das legislações nacionais
em matéria de droga, organizado pela Presidência,
pela Comissão e pelo Parlamento Europeu, reúne o
material necessário.
O Conselho Europeu reafirma que, no Conselho
Europeu de Dublim, analisará a implementação
do relatório do Grupo de Peritos "Droga" que
foi aprovado no Conselho Europeu de Madrid.
Particularmente, na sequência da iniciativa
francobritânica sobre as Caraíbas, agora alargada
à América Latina, o Conselho Europeu insta o Conselho
e a Comissão, no âmbito das respectivas competências,
a implementar as recomendações sobre estas regiões
em cooperação, sempre que for caso disso, com os
parceiros americanos e canadianos da União. O Conselho
Europeu convida também o Conselho e a Comissão a
completarem com a maior brevidade o relatório solicitado
em Madrid, identificando eventuais lacunas existentes a serem
colmatadas no âmbito da cooperação da União
com a América Latina na luta contra a droga. O Conselho
Europeu salienta igualmente a necessidade de intensificar a cooperação
com os países da Europa Central e Oriental e com a Rússia.
No que toca à Convenção
dos EstadosMembros da União Europeia relativa à
Passagem das Fronteiras Externas, o Conselho Europeu lamenta
que não tenha sido possível resolver os problemas
pendentes. Por conseguinte, solicita que se intensifiquem os esforços
para solucionar esses problemas, por forma a concluir os trabalhos
sobre esse projecto até ao final do ano.
O Conselho Europeu congratulase com os progressos significativos realizados no sentido da adopção de uma convenção destinada a facilitar a extradição entre os EstadosMembros, que é da maior importância no combate ao crime organizado, nomeadamente o terrorismo. Solicita ao Conselho que envide todos os esforços para que a Convenção esteja concluída em finais de Junho.
O Conselho Europeu reafirma a determinação
da União em combater com a maior firmeza o racismo e
a xenofobia, aprova o princípio subjacente à
criação de um Observatório Europeu e solicita
ao Conselho que analise as condições jurídicas
e orçamentais do futuro Observatório, bem como as
relações que este deverá estabelecer com
o Conselho da Europa e que confira mandato à Comissão
Consultiva sobre o Racismo e a Xenofobia para prosseguir os seus
trabalhos até à criação do Observatório
Europeu.
IV. SUBSIDIARIEDADE
O Conselho Europeu acolhe com satisfação
o relatório intercalar sobre a aplicação
dos princípios da subsidiariedade e da proporcionalidade.
Convida as instituições comunitárias e os
EstadosMembros a reforçarem a sua acção
neste sentido e aguarda com interesse um relatório pormenorizado
da Comissão em Dublim.
V. A
CONFERÊNCIA INTERGOVERNAMENTAL
O Conselho Europeu regista que os trabalhos
da Conferência realizados até à data, com
base nas directrizes definidas em Turim, permitiram pôr
em evidência as principais questões em jogo. Os trabalhos
da Conferência durante esta primeira fase encontram-se expostos
no relatório elaborado sob a orientação da
Presidência que, sem prejuízo das negociações,
faz um balanço à atenção da próxima
Presidência com vista à preparação
dos trabalhos futuros.
A análise destas questões encontra-se
já suficientemente avançada. A Conferência
pode agora concentrar-se na busca de soluções equilibradas
para as principais questões políticas que se colocaram.
O Conselho Europeu espera realizar, na sua reunião de Dublim,
os progressos decisivos que permitam respeitar o calendário
definido em Turim, o que implica a conclusão da Conferência
em meados de 1997.
Nesta perspectiva, o Conselho Europeu solicita que a Presidência irlandesa elabore, para a reunião de Dublim, um esboço geral de um projecto de revisão dos Tratados, que contemple nomeadamente os objectivos seguintes:
- aproximar mais a União dos cidadãos,
através das seguintes acções:
= respondendo às suas expectativas no que se refere ao cumprimento do objectivo de um elevado nível de emprego, garantindo simultaneamente a protecção social e considerando os meios para dotar a União de uma base de cooperação e coordenação mais eficazes, a fim de reforçar as políticas nacionais; deverseá igualmente ponderar de que modo o Tratado poderá tornar mais eficazes e melhor coordenados os esforços dos Governos e dos parceiros sociais;
= tornando a protecção do ambiente mais eficaz e coerente a nível da União, por forma a garantir um desenvolvimento sustentável;
= dando ao trabalho da União transparência e abertura;
= reforçando a cidadania europeia, sem substituir as cidadanias nacionais e respeitando simultaneamente a identidade nacional e as tradições dos EstadosMembros;
= respeitando os seus direitos fundamentais;
= respondendo às suas necessidades
de segurança, o que implica o reforço significativo
dos meios e instrumentos contra o terrorismo, o crime organizado
e o tráfico de droga, bem como das políticas relativas
a todos os aspectos do asilo, aos vistos e à imigração,
na perspectiva de um espaço judiciário comum nesta
matéria;
- reforçar e alargar o âmbito
da política externa e de segurança comum da União,
o que implica designadamente que se tenham em conta, com vista
a uma maior uniformidade e eficiência:
= a interacção mais eficaz possível por parte dos diferentes intervenientes, de acordo com as funções que lhes foram atribuídas pelo Tratado, na elaboração e implementação das acções externas da União (Conselho Europeu, Conselho, Comissão, Presidência, EstadosMembros e, eventualmente, uma nova função no âmbito da PESC);
= uma maior coerência entre uma PESC reformulada e uma acção económica externa reforçada;
= os processos e as condições que regem a tomada de decisões, incluindo a possibilidade de eventualmente flexibilizar a regra da unanimidade;
= os meios que permitam assegurar o financiamento garantido e rápido das acções decididas;
= a dimensão de segurança e de defesa da União e, designadamente, a possibilidade de inserir no Tratado objectivos que correspondam às missões de Petersberg;
= o estreitamento dos laços entre a União Europeia e a UEO, tendo em vista definir a questão das suas relações futuras, na sequência dos resultados da reunião da NATO no mês de Junho, em Berlim;
= uma eventual cláusula de solidariedade
política;
- e, por fim, assegurar, nomeadamente na
perspectiva do alargamento, o correcto funcionamento das Instituições,
respeitando ao mesmo tempo o seu equilíbrio, e a eficácia
do processo decisório, o que implica, em especial, que
se tenham em consideração os seguintes pontos:
= relativamente ao Conselho: o âmbito de aplicação da votação por maioria qualificada, a ponderação dos votos e o limiar para a tomada de decisões por maioria qualificada;
= relativamente à Comissão: o seu modo de nomeação e respectiva composição;
= relativamente ao Parlamento Europeu: os procedimentos que presidem à sua participação no processo legislativo, bem como o seu papel político e de controlo;
= relativamente ao Tribunal de Justiça: a melhoria do papel desta Instituição e do respectivo funcionamento;
= relativamente à União no
seu todo: os meios de assegurar uma aplicação efectiva
do princípio da subsidiariedade; a questão da suficiência
de meios; uma análise mais aprofundada do alcance e das
condições de uma cooperação reforçada,
e a questão do contributo dos parlamentos nacionais, quer
individual quer colectivamente, para a integração
europeia.
Por último, o Conselho Europeu convida a CIG a procurar todos os meios possíveis de simplificar os Tratados, de modo a tornar as finalidades e o funcionamento da União mais compreensíveis para os cidadãos.
VI. ENCEFALOPATIA ESPONGIFORME DOS
BOVINOS (EEB)
O Conselho Europeu congratulase com
o documento da Comissão que define a sua posição
quanto a um enquadramento para a erradicação da
EEB no gado do Reino Unido e para o restabelecimento do mercado
único da carne de bovino. O Conselho Europeu concorda que
este documento da Comissão permite agora que o acompanhamento
progrida, de acordo com o processo nele definido. Este enquadramento
define as acções que o Reino Unido tem vindo a tomar
e que deverá tomar no futuro, de modo a acelerar a erradicação
da doença. Depois de implementado, este enquadramento permitirá
um abrandamento gradual das actuais restrições à
exportação de produtos de origem bovina do Reino
Unido para os restantes países da União Europeia
e para os países terceiros. O Conselho Europeu convida
a Comissão a apresentar as decisões adequadas quando
considerar que foram preenchidas as condições necessárias,
com base em pareceres científicos e técnicos. Essas
decisões serão tomadas apenas e exclusivamente com
base em considerações de saúde pública,
assim como em critérios científicos objectivos e
depois de a Comissão ter verificado, em conformidade com
os processos existentes, que esses critérios foram cumpridos.
O Conselho Europeu salienta a importância
de um apoio adequado aos produtores gravemente afectados pela
diminuição do consumo de carne de bovino e pelos
efeitos a nível dos preços de mercado. A Comissão
apresentou um orçamento rectificativo que inclui 650 milhões
de ecus e uma reserva de 200 milhões de ecus que pode
ser afectada ao apoio do mercado da carne de bovino. O Conselho
Europeu decide, no que lhe diz respeito, que será consagrada
uma dotação de 850 milhões de ecus de
apoio aos criadores de gado europeus gravemente afectados por
esta crise.
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A Presidência declarou que, se entretanto um país terceiro solicitar o abastecimento em carne de bovino do Reino Unido, exclusivamente para consumo interno, esse pedido será analisado pela Comissão, no âmbito do enquadramento global, após consulta aos comités científicos e veterinários competentes.
VII. ALARGAMENTO
O Conselho Europeu toma nota do relatório
do Conselho sobre as relações com os países
associados da Europa Central e Oriental durante o primeiro semestre
de 1996, e salienta a importância de que se reveste a estratégia
de preparação para a adesão, em que a partir
de agora se integra a Eslovénia.
Recordando as suas conclusões de Madrid, o
Conselho Europeu reitera a necessidade de dispor dos pareceres
e dos relatórios da Comissão sobre o alargamento,
tal como foi solicitado em Madrid, o mais rapidamente possível
após o encerramento da Conferência Intergovernamental,
de modo a que a fase inicial de negociações com
os países da Europa Central e Oriental possa coincidir
com a abertura das negociações com Chipre e Malta,
seis meses após a conclusão da CIG e tendo em conta
os respectivos resultados.
VIII. ACÇÃO EXTERNA DA UNIÃO
O Conselho Europeu adoptou as declarações
em anexo referentes à exJugoslávia, ao Médio
Oriente e à Rússia. Congratulouse com a assinatura
em Florença do Acordo de Parceria e Cooperação
com o Usbequistão e do AcordoQuadro de Cooperação
com o Chile.
1. Turquia
Recordando as decisões de 6 de Março
de 1995, o Conselho Europeu sublinha a prioridade que atribui
ao reforço e aprofundamento das relações
com a Turquia e faz votos para que sejam rapidamente criadas as
condições adequadas para a realização
bem sucedida do Conselho de Associação.
2. Médio Oriente
A União Europeia exorta os países que
ainda não decidiram apoiar o processo de paz a fazeremno
sem demora.
Neste contexto, dirigese particularmente ao
Irão, com quem acabou de realizar mais uma sessão
do diálogo crítico. A União Europeia espera
que este diálogo produza resultados concretos também
nas áreas da nãoproliferação,
do terrorismo e dos direitos humanos, incluindo o caso de Salman
Rushdie.
O Conselho Europeu, recordando em especial a reunião a nível ministerial, realizada no Luxemburgo em 22 de Abril de 1996, expressa a sua satisfação pelo incremento da cooperação com os Estados do Golfo.
3. Mediterrâneo
Salientando a grande importância que atribui
à dimensão mediterrânica da União Europeia,
o Conselho Europeu expressa a sua satisfação pelos
progressos significativos e equilibrados realizados durante o
primeiro semestre de 1996 na implementação da Declaração
sobre a Parceria Euromediterrânica e do programa de trabalho,
ao longo de um grande número de reuniões a todos
os níveis, e considera que o plano de acção
aprovado, que pretende alcançar gradualmente um consenso
sobre uma série de iniciativas em matéria de diplomacia
preventiva, relações de boa vizinhança e
medidas de confiança e de segurança constitui um
resultado importante. Poderá também preparar o caminho
para o estabelecimento de um pacto euromediterrânico que
ajudará a consolidar um espaço de paz e estabilidade
no Mediterrâneo.
O Conselho Europeu salienta a importância do
Regulamento MEDA para o desenvolvimento de relações
mais estreitas com os países mediterrânicos e solicita
ao Conselho que envide todos os esforços ao seu alcance
para adoptar este regulamento logo que possível.
4. Cooperação regional na
Europa
O Conselho Europeu recorda a importância da
Iniciativa CentroEuropeia (ICE), saúda o seu recente
alargamento e convida a Comissão a apresentar ao Conselho
Europeu de Dublim um relatório sobre as iniciativas apropriadas
para uma cooperação mais intensiva. O Conselho Europeu
saúda as várias iniciativas em curso destinadas
a reforçar a cooperação no sudeste da Europa.
Apoia especialmente a implementação da iniciativa
para a estabilidade, lançada em Royaumont.
O Conselho Europeu expressa também a sua satisfação pela iniciativa para a região do Mar Báltico apresentada pela Comissão na Conferência dos Chefes de Estado e de Governo em Visby. O Conselho Europeu reitera a importância de uma implementação efectiva da estratégia da União na região do Mar Báltico, tendo em conta nomeadamente a necessidade de intensificar as relações da União com a Rússia.
5. América Latina e Caraíbas
O Conselho Europeu nota com satisfação
que as relações com a América Latina e as
Caraíbas registaram um incremento significativo, designadamente
através:
- do avanço nas relações com
o Mercosul;
- da Declaração Solene de Florença
sobre o relançamento do processo de San José entre
a União Europeia e a América Central e da Declaração
de Cochabamba;
- da abertura próxima das negociações
com o México;
- das perspectivas das relações com
a comunidade andina;
- da reunião da Tróica da UE com os
países CARIFORUM, em Kingston, nas Caraíbas, em
Maio de 1996.
O Conselho Europeu lamenta que a conjuntura política
em Cuba não tenha permitido maiores progressos nas relações
entre a UE e este país. Espera que a evolução
da situação política em Cuba venha a criar
as condições necessárias para que se registem
esses progressos.
6. Relações Transatlânticas
O Conselho Europeu escutou um relatório dos
Presidentes do Conselho Europeu e da Comissão sobre a Cimeira
de 12 de Junho de 1996 entre a União Europeia e os Estados
Unidos, em Washington. Congratulouse com os progressos verificados
na aplicação da Nova Agenda Transatlântica
e do Plano de Acção UEEU enunciados no relatório
do Grupo de Alto Nível e com as prioridades para os próximos
seis meses.
Apesar da evolução e dos resultados positivos alcançados nas relações entre os dois lados do Atlântico, o Conselho Europeu reitera a sua profunda preocupação com os efeitos extraterritoriais do "Cuban Liberty and Democratic Solidarity Act (Libertad)", adoptado pelos Estados Unidos e futura legislação equivalente relativamente ao Irão e à Líbia. A este respeito, o Conselho Europeu reitera o seu direito e a sua intenção de reagir em defesa dos interesses da União Europeia no que se refere a esta legislação e a toda e qualquer legislação subsequente em matéria de boicote com efeitos extraterritoriais.
7. Ásia
O Conselho Europeu saúda a primeira cimeira
euroasiática realizada em Banguecoque em 12 de Março,
que representou uma viragem histórica nas relações
entre os dois continentes e encarrega o Conselho de proceder a
um acompanhamento efectivo da cooperação política,
económica e comercial decidida em Banguecoque.
O Conselho Europeu salienta a importância de
desenvolver uma política de longo prazo da União
em relação à China. Reconhecendo os esforços
empreendidos pela China não só ao reestruturar a
sua economia, mas também ao encaminharse para um
Estado de direito, o Conselho Europeu espera um maior empenhamento
no respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais.
Neste contexto, declara a vontade da União em prosseguir
um diálogo construtivo com a China.
8. África
O Conselho Europeu continua preocupado com a violência
que se regista ainda na Região dos Grandes Lagos e, em
especial, no Burundi. A União Europeia apoia plenamente
os esforços de paz das Nações Unidas e da
Organização da Unidade Africana, bem como de governantes
regionais e outras personalidades interessadas tendo, para o efeito,
designado um Enviado Especial para a Região dos Grandes
Lagos. O Conselho Europeu exorta todas as partes no Burundi a
cooperarem com o antigo Presidente Nyerere no seu esforço
para encontrar uma via para a paz, aceitável por todos.
Acolhendo favoravelmente estes esforços internacionais,
o Conselho Europeu continua a apoiar a convocação
de uma conferência internacional sob os auspícios
da ONU e da OUA para analisar, numa perspectiva mundial, as raízes
da crise e para garantir o respeito pelos compromissos assumidos.
O Conselho Europeu apoia o processo de transição
para a democracia em curso no Zaire, que tem por objectivo a realização
de eleições livres e democráticas segundo
o enquadramento e o calendário indicados pelas instituições
responsáveis pela transição. A União
Europeia está disposta a assistir o Zaire na preparação
e na organização das eleições.
O Conselho Europeu reconhece o interesse da eventual realização de uma cimeira euroafricana destinada a reforçar a paz e a democracia na África, possibilidade essa que está a ser analisada pelo Conselho.
9. Segurança
O Conselho Europeu salienta a importância crescente
dos aspectos relacionados com a segurança nas iniciativas
da UE no âmbito da PESC, nota com satisfação
que, no diálogo com os seus parceiros, tem vindo a ser
dado cada vez maior relevo à questão da segurança
e saúda o impulso recentemente dado às relações
UEUEO, que devem continuar a ser desenvolvidas. O Conselho
Europeu congratulase com as decisões tomadas pelo
Conselho do Atlântico Norte, no mês de Junho, em Berlim,
no que se refere ao desenvolvimento da Identidade Europeia de
Segurança e de Defesa.
10. OMC
O Conselho Europeu convida o Conselho a definir,
o mais rapidamente possível, o mandato de negociação
da Comissão para a Conferência Ministerial em Singapura
no que se refere às questões pendentes e aos novos
temas, a fim de obter resultados satisfatórios e equilibrados
para a Comunidade Europeia. Solicita ao Conselho que lhe apresente,
na reunião de Dublim, um relatório sobre a evolução
das políticas comerciais e os acordos preferenciais da
Comunidade.
O Conselho Europeu congratulase com o progresso
registado nos seis primeiros meses de implementação
do Acordo de Paz na BósniaHerzegovina. Elogia a importante
acção das instituições internacionais
envolvidas, nomeadamente, do Alto Representante, da IFOR, da OSCE
e das Nações Unidas. Recorda também o importante
contributo prestado ao processo de paz pela União Europeia
e pelos EstadosMembros individualmente, tanto a nível
civil como militar.
O Conselho Europeu apoia plenamente as conclusões
do encontro ministerial do Conselho de Implementação
da Paz realizado em Florença em 13 e 14 de Junho.
Apoia em especial a recomendação do Conselho de
Implementação da Paz (CIP) de que as eleições
na BósniaHerzegovina se realizem em 14 de Setembro
na pendência da decisão de confirmação
a tomar pela OSCE. O Conselho Europeu insta as Partes a que adoptem
as medidas necessárias para cumprimento dos compromissos
assumidos, nomeadamente no que se refere à liberdade de
circulação e ao acesso à comunicação
social, incluindo a televisão privada, por forma a garantir
eleições livres e justas. A União Europeia
contribuirá para o processo eleitoral através da
ECMM e com base na Acção Conjunta para o Controlo
das Eleições adoptada em 10 de Junho pelo
Conselho "Assuntos Gerais". O sucesso eleitoral permitirá
a criação e o desenvolvimento de novas instituições
políticas neste país, tal como é especificado
no Acordo de Paz. Este factor é essencial para a consolidação
de um estado unido e democrático na BósniaHerzegovina.
O Conselho Europeu sublinha que a Federação é
um elemento essencial para a realização desse objectivo
e rejeita qualquer tentativa no sentido de restaurar as estruturas
governamentais da HercegBosna.
O Conselho Europeu realça a importância
das eleições a realizar em 30 de Junho
em Mostar e insta todas as Partes a que se empenhem plenamente
no apoio ao processo eleitoral. Na sequência de eleições
bem sucedidas e desde que as lideranças recémeleitas
demonstrem um empenho genuíno na reunificação
da cidade e na cooperação com a Administração
de Mostar da União Europeia, a União Europeia ponderará
sobre o alargamento do mandato da AMUE por mais algum tempo, antes
da reintegração da cidade nas estruturas de implementação
do Acordo de Paz.
O Conselho Europeu sublinha a necessidade de uma
plena cooperação de todas as Partes com o Tribunal
Penal Internacional para a ExJugoslávia (ICTY) e
associarseá à comunidade internacional
no controlo estreito do cumprimento das disposições
neste domínio. O Conselho Europeu recorda que o Acordo
de Paz proíbe os indiciados pelo ICTY de se candidatarem
a cargos públicos. Assim, o Conselho Europeu reitera o
pedido do CIP de 14 de Junho para o afastamento de
R. Karadzic da cena política.
A União Europeia considera a reconstrução como um elemento crucial para incrementar a reconciliação e promover um regresso progressivo à vida normal na BósniaHerzegovina. A União Europeia, que contribui significativamente para a ajuda financeira internacional, continuará a apoiar a recuperação económica e a reabilitação do país. Neste âmbito, nenhuma das Partes será discriminada desde que cumpra plenamente as obrigações decorrentes do Acordo de Paz. A prontidão dos países de origem em autorizar o regresso de todos os refugiados é considerada pela UE como um dos critérios de participação nos programas de reconstrução e desenvolvimento.
A União Europeia desenvolverá as suas
relações com os países desta zona de acordo
com a directriz adoptada pelo Conselho "Assuntos Gerais"
de 26 de Fevereiro e apresentada aos Governos da região
pela Presidente do Conselho e pelo Presidente da Comissão
durante a sua visita conjunta de 7 e 8 de Junho.
O Conselho Europeu recorda a Declaração
da Presidência de 9 de Abril sobre o reconhecimento
da República Federativa da Jugoslávia. Espera que
novos passos das autoridades de Belgrado, nos âmbitos indicados
nesta Declaração, nomeadamente no que se refere
ao Kosovo, permitam o desenvolvimento de relações
com a RFJ e a melhoria da posição de Belgrado no
seio da comunidade internacional.
O Conselho Europeu congratulase com a assinatura
em Florença em 14 de Junho do Acordo sobre o
Controlo de Armamento SubRegional. Faz apelo às Partes
para que tomem as medidas necessárias para implementar
este Acordo, o que facilitará a abertura da próxima
ronda de negociações sobre o controlo do armamento
na região. O Conselho Europeu recorda às Partes
que a comunidade internacional insistirá na implementação
e verificação adequadas deste Acordo por forma a
impedir que se regresse ao conflito na exJugoslávia.
O Conselho Europeu congratulase com o valioso progresso efectuado na implementação do Acordo de Base de 12 de Novembro de 1995 sobre a Eslavónia Oriental e elogia os esforços realizados para este fim pela Administração Transitória das Nações Unidas. A União Europeia apoiará a recuperação e a reabilitação económica da Eslavónia Oriental. O Conselho Europeu regista com agrado os resultados do processo de desmilitarização e faz apelo às Partes para que implementem pacificamente todas as outras disposições do Acordo de Base, garantindo nomeadamente o pleno respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, o direito de regresso dos refugiados e o carácter multiétnico da região.
DECLARAÇÃO DO CONSELHO EUROPEU SOBRE
O PROCESSO DE PAZ NO MÉDIO ORIENTE
1. O Conselho Europeu reitera veementemente que a
paz no Médio Oriente é um dos interesses fundamentais
da União Europeia. O processo de paz é a única
via para a paz e a segurança de Israel, dos palestinianos
e dos países vizinhos. A União Europeia continua
a apoiar firmemente esse processo. O objectivo da União
Europeia e dos outros países promotores do processo de
paz é de que Israel e os seus vizinhos possam viver dentro
de fronteiras seguras, reconhecidas e garantidas e de que os legítimos
direitos dos palestinianos sejam salvaguardados.
2. Assim sendo, a União Europeia exorta todas
as Partes sem excepção a empenharemse novamente
no processo de paz, a respeitar e a implementar plenamente todos
os acordos já obtidos e a reatar as negociações
o mais rapidamente possível, com base nos princípios
já aceites por todas as Partes, no âmbito das orientações
de Madrid e de Oslo. Essas orientações abrangem
todas as questões que as Partes acordaram em negociar,
incluindo Jerusalém, cuja importância é essencial
para todas as Partes e para a comunidade internacional, não
esquecendo a necessidade de respeitar os direitos estabelecidos
das instituições religiosas.
3. A União Europeia recorda os princípios
essenciais em que se deverá basear uma conclusão
das negociações bem sucedida e que estão
consagrados nas Resoluções nºs 242, 338
e 425 do Conselho de Segurança das Nações
Unidas. Os princípios fundamentais - autodeterminação
do povo palestiniano, com todas as suas implicações,
e territórios em troca da paz - são determinantes
para se conseguir uma paz justa, global e duradoura.
4. Nesta base, a União Europeia continuará
a apoiar um rápido reatamento das negociações
relativas a um estatuto final, que tiveram início em 5 de Maio,
as negociações entre Israel e a Síria, bem
como a abertura de negociações entre Israel e o
Líbano, respeitando plenamente a integridade territorial,
a independência e a soberania do Líbano. A União
Europeia continua empenhada em apoiar o cessarfogo entre
Israel e o Líbano.
5. A União Europeia considera importantes
os compromissos que as partes assumiram no que se refere à
segurança e congratulase com a cooperação
que as autoridades palestinianas dispensaram a Israel neste domínio.
O Conselho Europeu condena todos os actos de terrorismo e continuará
a apoiar as Partes na sua luta contra os mesmos, os seus autores
e respectivas causas políticas, económicas e sociais.
6. A União Europeia reconhece as sérias
repercussões que os recentes encerramentos da fronteira
têm tido a nível da economia palestiniana. O Conselho
Europeu regista a recente flexibilização parcial
dos encerramentos. Reconhecendo embora as necessidades de Israel
no que se refere à segurança, o Conselho Europeu
incentiva este país a suprimir completamente as restrições
ainda existentes.
7. A União Europeia exorta todas as Partes
intervenientes na região a evitarem e a impedirem acções
que possam prejudicar o reatamento eficaz das negociações
e assim obstruir a evolução do processo de paz.
8. A União Europeia presta homenagem aos líderes na região que escolheram o caminho da paz. O Conselho Europeu continuará a envidar todos os esforços possíveis para garantir que seja prosseguido e concluído o trabalho já iniciado.
DECLARAÇÃO DO CONSELHO EUROPEU
SOBRE A RÚSSIA
O Conselho Europeu reitera a firme determinação
da União Europeia em continuar a apoiar o processo de reformas
na Rússia. Ciente dos muitos desafios de interesse comum,
o Conselho Europeu, ao abordálos, espera ansiosamente
a participação plena e construtiva de uma Rússia
democrática que partilhe dos mesmos valores. O Conselho
Europeu congratulase com a realização da primeira
volta das eleições presidenciais na Rússia
que demonstram um firme empenhamento na democracia. A feliz conclusão
destas eleições e a consolidação da
democracia na Rússia contribuirão para o fortalecimento
da paz, da estabilidade e da segurança na Europa. O Conselho
Europeu espera que este acto constitua uma base ainda mais sólida
para a continuação do desenvolvimento de relações
entre a União Europeia e a Rússia.
O Conselho Europeu reitera a importância fundamental
que atribui à continuação do desenvolvimento
de uma estreita relação e de uma sólida parceria
entre a União Europeia e a Rússia e apela à
ratificação a curto prazo do Acordo de Parceria
e Cooperação (APC), que constitui a base desta relação,
para que este acordo possa entrar em vigor o mais rapidamente
possível.
Por conseguinte, o Conselho Europeu congratulase
com o constante aprofundamento de relações, marcado
nomeadamente pela entrada em vigor do Acordo Intercalar em 1 de Fevereiro de 1996
e pela adopção do Plano de Acção pelo
Conselho de 13 de Maio de 1996. Este Plano
de Acção, que abrange o apoio ao processo democrático,
a cooperação económica, aspectos de segurança
e de relações externas e assuntos de justiça
e política interna, será rápida e eficientemente
implementado em plena cooperação com as autoridades
russas. Este plano constitui a base para a prossecução
de uma cooperação frutuosa e para o fortalecimento
das relações entre a União Europeia e a Rússia.
O Programa TACIS é um importante elemento para promover
a transição económica e a democracia na Rússia
e um instrumento útil para a implementação
do Plano de Acção.
O Conselho Europeu considera a adesão da Rússia
ao Conselho da Europa como mais um passo para a consolidação
dos princípios democráticos e dos direitos humanos
na Rússia.
A União Europeia sublinha o seu interesse no pleno envolvimento da Rússia no desenvolvimento de uma arquitectura global de segurança europeia, em que a Rússia tenha o seu devido lugar, e pretende contribuir para esse objectivo. Assim, a União encoraja a continuação do diálogo com a Rússia nas Instituições de segurança europeias, nomeadamente entre a Rússia e a NATO. A União Europeia regista com agrado a cooperação da Rússia nos assuntos europeus e internacionais, nomeadamente na implementação dos Acordos de Paz de Dayton/Paris e o seu contributo para o IFOR.
Os seguintes documentos de referência serão anexados
às Conclusões da Presidência
(Florença, 21 e 22 de Junho de 1996)
- Relatório do Conselho "ECOFIN"
para o Conselho Europeu sobre a situação dos trabalhos
de preparação para a terceira fase da UEM (doc.
7940/96)
- Conclusões do Presidente no final da Conferência
Tripartida sobre Crescimento e Emprego (Roma, 14/15 de Junho de
1996) (doc. 8315/96)
- Relatório ao Conselho sobre as relações
com os PECO associados no primeiro semestre (doc. 8169/96 PECOS
81)
- Relatório conjunto Presidência/Comissão
sobre o seguimento da Conferência de Barcelona (doc. 7987/96
+ ADD 1 + ADD 2 (f/en))
- Plano de acção da União Europeia
para a Rússia (doc. 6440/96 + COR 1)
- Declaração do Presidente por ocasião
do encerramento da primeira reunião ÁsiaEuropa
(ASEM), realizada em Banguecoque, em 1/2 de Março de 1996
(doc. 5576/96)
- Declaração sobre o Instituto Universitário
Europeu de Florença (SN 216/96 REV 1)
- Relatório da Presidência sobre a situação
dos trabalhos da Conferência Intergovernamental (docs CONF/3860/1/96
REV 1)