A UE preparou um amplo pacote financeiro orçado em 1,8 biliões de euros, a preços de 2018, para os próximos anos, a fim de fazer face às consequências socioeconómicas da pandemia de COVID-19 e de dar resposta às prioridades a longo prazo da UE. O pacote combina:
- 1 074,3 milhares de milhões de euros do Quadro financeiro plurianual (QFP)
- 750 mil milhões de euros do instrumento extraordinário de recuperação, o Next Generation EU
1,8 biliões de euros
numa combinação de fundos do QFP e do Next Generation EU
O pacote ajudará a transformar a UE, dando apoio ao Pacto Ecológico Europeu e à transformação digital e reforçando a resiliência.
Todos os montantes apresentados nesta página são expressos em preços de 2018.
Next Generation EU
O plano para a recuperação da Europa exige um enorme investimento público e privado a nível europeu, por forma a criar postos de trabalho e reparar os danos imediatos causados pela pandemia de COVID-19, e apoiar simultaneamente as prioridades ecológicas e digitais da União.
A fim de dotar a União dos meios para enfrentar os desafios da pandemia de COVID-19, a Comissão será autorizada a contrair empréstimos, em nome da União, no valor de 750 mil de milhões de euros nos mercados de capitais.
750 mil milhões de euros
Instrumento de recuperação Next Generation EU
O instrumento de recuperação Next Generation EU permitirá transferir estes fundos para os programas da UE, do seguinte modo:
- Mecanismo de Recuperação e Resiliência: 672,5 mil milhões de euros (empréstimos: 360 mil milhões de euros, subvenções: 312,5 mil milhões de euros)
- REACT-EU: 47,5 mil milhões de euros
- Horizonte Europa: 5 mil milhões de euros
- InvestEU: 5,6 mil milhões de euros
- Desenvolvimento Rural: 7,5 mil milhões de euros
- Fundo para uma Transição Justa: 10 mil milhões de euros
- RescEU: 1,9 mil milhões de euros
Quadro financeiro plurianual
O quadro financeiro plurianual (QFP) abrange o período compreendido entre 2021 e 2027. Ao abrigo do QFP, o financiamento da UE será orientado para prioridades novas e reforçadas em todos os domínios de intervenção da UE, nomeadamente as transições ecológica e digital. A política de coesão e a política agrícola comum continuarão a poder contar com financiamento significativo e a ser modernizadas, a fim de assegurar que contribuem da melhor forma para a recuperação económica da Europa e para os objetivos ecológicos e digitais da UE.
1 074,3 mil milhões de euros
Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027
O QFP abrange os seguintes domínios principais de despesas:
- mercado único, inovação e digital: 132,8 mil milhões de euros
- coesão, resiliência e valores: 377,8 mil milhões de euros
- recursos naturais e ambiente: 356,4 mil milhões de euros
- migração e gestão das fronteiras: 22,7 mil milhões de euros
- segurança e defesa: 13,2 mil milhões de euros
- vizinhança e mundo: 98,4 mil milhões de euros
- administração pública europeia: 73,1 mil milhões de euros
Ação climática
As despesas no âmbito do QFP e do Next Generation EU devem ser compatíveis com:
- o objetivo de neutralidade climática da UE até 2050
- as metas climáticas da UE para 2030
- o Acordo de Paris
Das despesas totais do QFP e do Next Generation EU, 30 % destinam-se a projetos relacionados com o clima.
30 %
da despesa total da UE destinam-se a projetos relacionados com o clima
Flexibilidade
Para permitir o financiamento de despesas imprevistas específicas que de outra forma não poderiam ser financiadas, foi criado um Instrumento de Margem Único. O limite máximo anual para o Instrumento de Margem Único está fixado em 772 milhões de euros (a preços de 2018).
Três instrumentos especiais temáticos fornecerão meios financeiros adicionais para dar resposta a acontecimentos imprevistos específicos, a saber:
- a Reserva Especial de Ajustamento ao Brexit, destinada a apoiar os Estados-Membros e os setores económicos mais afetados pelo Brexit (5 mil milhões de euros)
- o Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização, destinado a apoiar os trabalhadores que percam os seus empregos no contexto de reestruturações relacionadas com a globalização (186 milhões de euros por ano)
- a Reserva para a Solidariedade e as Ajudas de Emergência (RSAE), destinada a responder a situações de emergência resultantes de catástrofes de grandes proporções nos Estados-Membros e nos países em fase de adesão e a dar rapidamente resposta a necessidades específicas de emergência na UE ou em países terceiros (1,2 mil milhões de euros por ano)
Receitas da UE: recursos próprios
Decisão sobre os Recursos Próprios
A Decisão sobre os Recursos Próprios, que define a forma como o orçamento da UE é financiado, foi adotada pelo Conselho em 14 de dezembro de 2020. Para entrar em vigor, a decisão teve de ser aprovada pelos 27 Estados-Membros da UE, em conformidade com as respetivas normas constitucionais. A decisão será aplicável com efeitos retroativos a partir de 1 de janeiro de 2021.
Limites máximos
A partir de 1 de janeiro de 2021, são fixados, para a UE, os seguintes limites máximos dos recursos próprios:
- para pagamentos: 1,40 % da soma dos RNB de todos os Estados-Membros
- para autorizações: 1,46 % da soma dos RNB de todos os Estados-Membros
Estes limites máximos serão aumentados, a título excecional e temporário, em mais 0,6 pontos percentuais, a fim de cobrir todos os passivos da UE resultantes dos empréstimos previstos para financiar o esforço de recuperação do Next Generation EU, até que todos os fundos obtidos por empréstimo tenham sido reembolsados.
Fontes de receitas
A partir de 1 de janeiro de 2021, é criado um novo recurso próprio baseado nos resíduos de embalagens de plástico não reciclados, que proporcionará aos Estados-Membros um incentivo para reduzir o consumo de plásticos de utilização única e promover a reciclagem e a economia circular, em consonância com os objetivos da política ambiental da UE.
A nova taxa será calculada com base no peso dos resíduos de embalagens de plástico não reciclados em cada Estado-Membro, com uma taxa de mobilização de 0,80 EUR por quilograma, e inclui um mecanismo destinado a evitar um impacto excessivamente regressivo nas contribuições nacionais.
Além disso, a UE trabalhará no sentido de introduzir novos recursos próprios ao longo dos próximos anos.
Estas novas fontes de financiamento vêm juntar-se aos recursos próprios existentes:
- recursos próprios tradicionais: resultantes principalmente dos direitos aduaneiros e das quotizações sobre o açúcar (os Estados-Membros reterão, a título de despesas de cobrança, 25 % dos montantes cobrados)
- recursos próprios baseados no IVA: resultantes da aplicação de uma taxa uniforme de 0,3 % à matéria coletável do imposto sobre o valor acrescentado de cada Estado-Membro, estando a matéria coletável do IVA limitada a 50 % do RNB de cada país (a metodologia será simplificada)
- recursos próprios baseados no RNB: resultantes da aplicação de uma taxa uniforme ao rendimento nacional bruto dos Estados-Membros, que é ajustada todos os anos, a fim de equilibrar as receitas e as despesas (permanecem inalterados)
Mecanismos de correção ("abatimentos")
Para o período 2021-2027, as contribuições anuais baseadas no rendimento nacional bruto da Dinamarca, da Alemanha, dos Países Baixos, da Áustria e da Suécia serão reduzidas por correções fixas.
Novo mecanismo de condicionalidade orçamental
Um novo regulamento estabelece o chamado "regime geral de condicionalidade" para proteger o orçamento da UE, a ser aplicado sempre que se determine que a violação dos princípios do Estado de direito num Estado-Membro compromete ou possa vir seriamente a comprometer, de forma suficientemente direta, a boa execução do orçamento da UE ou os interesses financeiros da União.
O orçamento da UE: um modelo para o futuro
O orçamento da UE evoluiu sempre com as necessidades da União, respondendo a contextos políticos, sociais e económicos em mutação. A sua história é uma crónica fascinante de evolução e adaptação, de compromisso e de uma visão de futuro comum. Trata-se de uma história de transformação na Europa e de impacto positivo na vida de milhões de pessoas. Descubra a história e os episódios que explicam como o orçamento de longo prazo da UE funciona para a Europa.
Programas setoriais da UE para 2021-2027
O orçamento de longo prazo proporciona o quadro para o financiamento de quase 40 programas de despesas da UE por um período de sete anos. A maioria dos programas de financiamento setoriais da UE deverá ser adotada no início de 2021 e aplicar-se-á retroativamente a partir do início de 2021.
Eis alguns exemplos de programas novos e reforçados ao abrigo do QFP 2021-2027:
A fim de apoiar a transição digital, é criado um novo programa de financiamento, o Europa Digital, para promover a implantação e a adoção em larga escala de tecnologias digitais essenciais, como as aplicações de inteligência artificial e as ferramentas de ponta em matéria de cibersegurança. A vertente digital do Mecanismo Interligar a Europa registará também um aumento significativo de financiamento.
O novo Programa UE pela Saúde constituirá uma base sólida para a ação da UE no domínio da saúde, assente nos ensinamentos colhidos durante a pandemia de COVID-19.
No domínio da investigação e da inovação, o programa Horizonte Europa beneficiará de um aumento significativo assim que o financiamento baseado no instrumento de recuperação da UE estiver disponível.
No domínio do espaço, a UE está a preparar um programa espacial totalmente integrado, que reúne todas as atividades da UE. Ao melhorar a eficiência, ajudará a lançar novos serviços orientados para o espaço que beneficiarão os cidadãos e as empresas da UE.
Para apoiar as regiões de elevada intensidade carbónica mais vulneráveis na sua transição para uma economia com impacto neutro no clima, é criado um novo Fundo para uma Transição Justa, que receberá financiamento ao abrigo tanto do próximo orçamento de longo prazo como do instrumento de recuperação da UE.
Os programas destinados aos jovens, como o Erasmus+ e o Corpo Europeu de Solidariedade, serão igualmente reforçados, prevendo-se que o programa Erasmus+ triplique o número de participantes durante a vigência do novo QFP.
O apoio à migração e à gestão das fronteiras foi também consideravelmente reforçado, nomeadamente para financiar, até 2027, um corpo composto por até 10 000 guardas de fronteira que ficarão à disposição da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira.
No domínio da segurança e defesa, foi criado um novo Fundo Europeu de Defesa para promover a competitividade, a eficiência e a capacidade de inovação da base industrial e tecnológica de defesa da UE.