Pacote farmacêutico: novas regras da UE em matéria de medicamentos
O pacote farmacêutico atualiza as regras em vigor em matéria de medicamentos para melhor atender às necessidades dos doentes e promover a concorrência e a inovação.
O que é o pacote farmacêutico?
O pacote farmacêutico é a primeira grande revisão da legislação farmacêutica da UE desde 2004. O seu objetivo é responder melhor às necessidades dos doentes:
- impulsionando a inovação e a competitividade através deincentivos para novos antimicrobianos, medicamentos para doenças raras e terapêuticas pediátricas
- dando resposta à segurança do aprovisionamento e às situações de rutura, a fim de garantira disponibilidade em tempo útil de medicamentos seguros e a preços acessíveis em toda a UE.
Em abril de 2023, a Comissão Europeia publicou o seu pacote farmacêutico e, em 4 de junho de 2025, o Conselho definiu a sua posição de negociação (mandato).
Em 11 de dezembro de 2025, o Conselho e o Parlamento chegaram a acordo sobre os contornos finais das novas regras.
O pacote inclui uma recomendação, adotada pelo Conselho em junho de 2023, sobre a intensificação da luta contra a resistência aos agentes antimicrobianos (RAM), ou seja, a capacidade de sobrevivência de um microrganismo apesar de ser exposto a medicamentos concebidos para o matar.
- «Pacote farmacêutico»: Conselho e Parlamento chegam a acordo sobre as novas regras para um setor farmacêutico da UE mais justo e competitivo (comunicado de imprensa, 11 de dezembro de 2025)
- «Pacote farmacêutico»: Conselho define a sua posição sobre novas regras para um setor farmacêutico da UE mais justo e competitivo (comunicado de imprensa, 4 de junho de 2025)
O que muda com o pacote farmacêutico?
O pacote prevê reformas para incentivar a inovação, melhorar o acesso dos doentes aos tratamentos, prevenir as ruturas e reduzir o impacto ambiental, preservando ao mesmo tempo a competitividade da indústria farmacêutica da UE.
Incentivos para encorajar a inovação
As empresas que colocarem um novo medicamento no mercado beneficiarão de «proteção de dados» por oito anos, período durante o qual terão direitos exclusivos sobre os dados provenientes de ensaios pré-clínicos e clínicos. Após este período, os dados poderão ser utilizados por outras empresas para produzir medicamentos genéricos.
As empresas beneficiarão também de um ano de proteção da comercialização, o que lhes dará o direito de vender um produto em regime de exclusividade, sem a concorrência de medicamentos genéricos ou biossimilares.
Este período poderá ser prorrogado por mais um ano para medicamentos inovadores que deem resposta a necessidades médicas não satisfeitas ou que cumpram determinadas condições, como os ensaios clínicos comparativos. Poderá ainda ser acrescentado um último ano no caso dos medicamentos que tenham uma «indicação terapêutica adicional» (ou seja, que possam ser utilizados para tratar doenças diferentes daquelas para as quais foram desenvolvidos inicialmente). No total, agregando os vários períodos, a proteção pode chegar, no máximo, aos 11 anos.
Mais antibióticos e medicamentos órfãos
Os laboratórios farmacêuticos que desenvolvam novos antibióticos podem receber um vale que lhes concede um ano suplementar de proteção da comercialização para todos os seus produtos farmacêuticos. Podem também vender esse vale a outras empresas farmacêuticas.
As empresas que invistam em medicamentos para doenças raras («medicamentos órfãos») podem também beneficiar de períodos de proteção dos dados e da comercialização bastante generosos, que podem ir até um máximo de 11 anos para os medicamentos de vanguarda que deem resposta a uma necessidade médica não atendida. Estes incentivos visam estimular as empresas a investir em medicamentos órfãos e ajudá-las a recuperar as suas despesas de investigação e de desenvolvimento.
Além disso, as empresas que criem medicamentos órfãos promissores podem receber orientações regulamentares numa fase precoce, até mesmo alguns anos antes do pedido de autorização de introdução no mercado, para ajudar as novas terapias a chegar aos doentes o mais rapidamente possível.
Maior eficiência dos processos de aprovação de medicamentos
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) supervisiona a aprovação de medicamentos na UE. Assim que um medicamento for autorizado pela EMA, pode ser vendido em todos os Estados-Membros.
A reforma visa tornar a EMA mais eficiente, reduzir a carga regulamentar e acelerar os prazos de aprovação. Dará também aos doentes uma voz mais ativa, ao incluir representantes dos doentes no principal comité científico.
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Responder melhor às situações de rutura
As ruturas de medicamentos são um problema grave na UE há vários anos. A pandemia de COVID-19 veio evidenciar a nossa dependência de países terceiros em relação a medicamentos e ingredientes essenciais, bem como as insuficiências das regras atuais.
A reforma visa melhorar a forma como as situações de rutura são acompanhadas e geridas. Os laboratórios farmacêuticos serão obrigados a notificar mais rapidamente eventuais ruturas, a elaborar planos de prevenção e a tomar medidas para fazer face a situações de rutura críticas. Além disso, a UE irá criar uma lista de medicamentos críticos e monitorizar a sua disponibilidade.
As novas regras permitirão também aos países da UE exigir que as empresas forneçam determinados medicamentos protegidos por medidas regulamentares, como a exclusividade relativamente aos dados ou à comercialização, em quantidades suficientes de modo a satisfazer as necessidades dos doentes.
Produtos farmacêuticos mais sustentáveis
Os resíduos farmacêuticos resultantes da produção, utilização e eliminação indevida poluem a água e o solo, representando um risco para o ambiente e a saúde pública. Estudos realizados revelaram a presença de agentes antimicrobianos no ambiente, por exemplo em fontes de água, o que pode contribuir para a resistência antimicrobiana.
As novas regras propostas poderão exigir que as empresas que pretendam colocar medicamentos no mercado realizem avaliações dos riscos ambientais e tomem medidas de redução desses riscos.
Novas regras para os medicamentos críticos na UE
O porquê da necessidade de novas regras
A última grande revisão da legislação farmacêutica da UE ocorreu há mais de 20 anos.
Desde então, a indústria farmacêutica tornou-se mais global, mas ainda há diferenças no acesso aos medicamentos na UE, havendo tratamentos que são inacessíveis ou não estão disponíveis em certos países, e muitas necessidades médicas continuam sem resposta.
Além disso, existe hoje uma maior sensibilização para o impacto ambiental dos medicamentos.
Cinco razões para nos preocuparmos com a resistência aos agentes antimicrobianos (RAM)
Ver também
Política de saúde da UE
Assuntos sociais, sociedade e direitos
Tratado sobre pandemias
Última revisão: 12 de dezembro de 2025